Deepfakes e vídeos falsos de autoridades avançam no país e motivam alerta do Banco Central e atualização de cartilha de segurança
Vídeo com voz clonada de um parente pedindo dinheiro urgente, ligação com o número do banco falsificado na tela do celular ou um vídeo de uma autoridade pública recomendando um aplicativo que promete liberar valores esquecidos: os golpes que usam inteligência artificial deixaram de ser exceção e se tornaram rotina na vida digital do brasileiro. Levantamento da plataforma de verificação de identidade Sumsub, mencionado pela Agência Brasil, mostra que a ocorrência de deepfakes, vídeos manipulados por inteligência artificial, disparou no país. O aumento foi de 126% em 2025, o que coloca o Brasil como responsável por quase 40% de todos os deepfakes identificados na América Latina. Diante desse cenário, tanto o Banco Central quanto o Comitê Gestor da Internet no Brasil reforçaram, nos últimos meses, o alerta sobre como reconhecer esse tipo de fraude antes que ela cause prejuízo. Agência Brasil
Como a inteligência artificial mudou a cara dos golpes digitais
Até pouco tempo atrás, era relativamente fácil identificar uma tentativa de fraude: erros de português, links estranhos, promessas exageradas demais para serem verdade. Esse cenário mudou. Com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis a qualquer pessoa, criminosos conseguem hoje produzir vídeos, áudios e até comprovantes bancários falsos com um nível de realismo que engana até quem está atento. O Banco Central tem registrado, por exemplo, um aumento expressivo de fraudes ligadas ao Sistema de Valores a Receber, ferramenta legítima que permite consultar dinheiro esquecido em instituições financeiras. Nos últimos meses, o BC tem identificado o uso de vídeos feitos com inteligência artificial com falsos depoimentos de celebridades ou de autoridades públicas, recomendando links ou aplicativos que nada têm a ver com o órgão oficial. Agência Brasil
O mesmo padrão se repete em golpes que utilizam clonagem de voz. Criminosos gravam poucos segundos de áudio de uma pessoa, muitas vezes retirado de vídeos publicados nas próprias redes sociais, e usam essa amostra para reconstruir falas inteiras com inteligência artificial. O resultado é usado para simular sequestros, emergências médicas ou pedidos urgentes de socorro financeiro, pressionando a vítima a agir rápido e sem checar a informação por outro canal. Esse tipo de fraude tem sido registrado com frequência crescente em diferentes estados, o que levou órgãos de segurança pública a emitir alertas específicos sobre o chamado golpe do roubo de voz.
O que fazer para não cair nesse tipo de fraude
Diante do avanço dessas técnicas, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil, ligado ao Comitê Gestor da Internet, atualizou recentemente sua cartilha de orientação sobre golpes online. O material reforça algumas regras simples, mas que continuam sendo a principal defesa contra fraudes desse tipo. A primeira delas é desconfiar de qualquer pedido de dinheiro feito com urgência excessiva, ainda que a voz ou a imagem pareçam absolutamente reais. Especialistas recomendam sempre tentar confirmar a informação por outro canal de comunicação, como uma ligação de vídeo para o número já conhecido da pessoa, antes de realizar qualquer transferência.
Outra orientação importante é lembrar que nenhuma instituição financeira solicita transferências para “cancelar” uma operação suspeita, tampouco pede senhas ou códigos de acesso por telefone. A cartilha do CGI.br também recomenda o uso de ferramentas gratuitas oferecidas pelo próprio Banco Central, como serviços de proteção contra abertura indevida de contas em nome do usuário, além de manter a autenticação em duas etapas ativada em aplicativos de mensagem e bancários. Por fim, vale reforçar que um comprovante de pagamento por si só não significa que o dinheiro realmente entrou na conta: a orientação de especialistas em segurança digital é sempre conferir o saldo diretamente no aplicativo do banco antes de liberar qualquer produto ou serviço, já que imagens de comprovantes também podem ser geradas artificialmente com boa qualidade visual.
O avanço da inteligência artificial generativa não deve desacelerar, o que torna esse tipo de educação digital cada vez mais necessário. À medida que as ferramentas ficam mais acessíveis e baratas, a expectativa de especialistas ouvidos pela imprensa é que os golpes continuem se sofisticando, exigindo atenção redobrada tanto de usuários mais jovens quanto, principalmente, de idosos, público historicamente mais visado por esse tipo de fraude no Brasil. Fontes consultadas: Agência Brasil – crescimento de deepfakes, Agência Brasil – alerta do BC, Agência Brasil – cartilha do CGI.br.



