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Tarifaço de Trump contra o Brasil vira aposta política às vésperas da eleição

Tarifa de 25% anunciada pelos EUA reacende disputa entre governo e oposição sobre quem paga a conta da crise comercial

O governo dos Estados Unidos confirmou, na madrugada desta quinta-feira (16), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre boa parte dos produtos brasileiros exportados ao país. A medida entra em vigor a partir do dia 22 de julho e chega depois de mais de um ano de investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo brasileiro reagiu horas depois, classificando a decisão como injusta e sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Em nota assinada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o Palácio do Planalto afirmou que o dia 15 de julho de 2026 “passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, por causa da sobretaxa. Mas, para além do impacto econômico direto sobre exportadores, o episódio ganhou um capítulo paralelo que promete render bastante até outubro: a briga política sobre quem é o responsável pela taxação. Enquanto o governo aponta interferência eleitoral dos EUA, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tentam se descolar do ônus político da medida. Agência Brasil

O que motivou o novo tarifaço e por que o governo brasileiro discorda

A decisão dos EUA é resultado de uma investigação que aponta o Brasil como praticante de condutas comerciais consideradas desleais, incluindo o funcionamento do Pix, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre plataformas digitais e barreiras ao etanol norte-americano. Em resposta formal ao USTR, o Itamaraty rebateu ponto a ponto essas alegações. O documento, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumenta que o Pix não discrimina empresas americanas, citando que companhias como Google Pay Brasil e Visa operam normalmente dentro do sistema. O Itamaraty destacou que a medida prejudicaria as próprias empresas norte-americanas, alegando em um documento de 29 páginas que tarifas amplas sobre produtos brasileiros também trariam custos reais para a economia dos Estados Unidos. Agência Brasil

O governo também rejeita o argumento de déficit comercial usado por Washington para justificar a medida. Segundo a nota divulgada pela Presidência nesta quinta, o país norte-americano acumulou nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil, e a tarifa média cobrada pelo Brasil sobre produtos americanos foi de apenas 3,1% em 2025. Diante desse cenário, a resposta brasileira já está desenhada: o Executivo informou que vai acionar de imediato os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, além de recorrer a mecanismos de solução de conflitos na Organização Mundial do Comércio. O ministro da Fazenda também sinalizou a possibilidade de editar uma nova medida provisória para socorrer setores exportadores mais afetados, em modelo parecido ao programa criado durante episódios anteriores de tensão comercial com os EUA. Agência Brasil

A lista de produtos isentos da nova tarifa passa de dois mil itens, incluindo café, suco de laranja, carne bovina e aeronaves, mas isso não é suficiente para acalmar o setor produtivo. Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo classificaram a decisão como prejudicial, alegando que a taxação unilateral reduz a competitividade brasileira frente a concorrentes de outros países que não sofrem a mesma sobretaxa.

Por que o tarifaço virou tema de campanha antes mesmo da eleição começar

O que diferencia esse episódio de rodadas anteriores da guerra comercial é o timing. Com a eleição presidencial marcada para outubro, autoridades e analistas ouvidos pela imprensa avaliam que a tarifa carrega motivação política tão forte quanto econômica. Especialistas consultados pela Agência Brasil descrevem a medida como uma forma de pressão para alinhar o Brasil a uma nova postura dos EUA para a América Latina. Governo brasileiro chegou a divulgar publicamente a avaliação de que o tarifaço foi politizado com o objetivo de interferir no processo eleitoral, mirando outubro.

Esse pano de fundo eleitoral explica a disputa de narrativas que tomou conta das redes sociais nas últimas horas. Autoridades americanas, incluindo o secretário de Estado dos EUA, chegaram a associar publicamente a decisão à condução política do governo Lula, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como “maus brasileiros” os que teriam trabalhado contra o país para depois tentar reverter a situação, numa crítica indireta a aliados do ex-presidente Bolsonaro que mantêm proximidade com o governo americano. Do outro lado, familiares do ex-presidente tentam colocar a responsabilidade da tarifa na condução das negociações pelo Palácio do Planalto, num movimento que já divide a opinião pública: pesquisas recentes mostram parte considerável dos brasileiros dividida sobre quem responsabilizar pela crise.

Esse cabo de guerra político deve se intensificar nas próximas semanas, à medida que os efeitos práticos da tarifa comecem a aparecer nos preços e no emprego de setores exportadores. Cada nova rodada de negociação entre Brasília e Washington tende a virar munição de campanha, o que torna o tarifaço um dos temas mais sensíveis do calendário eleitoral que se aproxima.

Ainda não há sinal de acordo no horizonte. O governo brasileiro afirma que vai seguir buscando diversificar parceiros comerciais e reduzir os danos causados à economia nacional, ao mesmo tempo em que mantém os canais diplomáticos abertos com os Estados Unidos. Para o eleitor, a pergunta que fica não é apenas sobre o preço dos produtos importados ou exportados, mas sobre como esse embate internacional vai pesar na disputa pelo Palácio do Planalto em outubro. Fontes consultadas: Agência Brasil, Agência Brasil – resposta do Itamaraty, Agência Brasil – avaliação política.

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