O acesso universal à água tratada e ao esgotamento sanitário segue sendo um dos maiores desafios da infraestrutura brasileira. Para o engenheiro Odair José Mannrich, fundador da Versa Engenharia Ambiental, o tema não é apenas técnico: é uma questão de saúde pública, desenvolvimento econômico e dignidade social. Nas próximas linhas, você vai entender por que o saneamento básico voltou ao centro do debate nacional, quais avanços estão acontecendo e o que ainda precisa mudar.
O Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, estabeleceu metas ambiciosas: universalizar o acesso à água potável até 2033 e ao tratamento de esgoto até o mesmo prazo. A legislação abriu espaço para maior participação privada no setor, mas também impôs responsabilidades mais claras aos municípios e prestadores de serviço. O impacto prático, no entanto, ainda é desigual entre as regiões.
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Por que o saneamento básico ainda falha em tantos municípios?
Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), cerca de 35 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água tratada, e mais de 100 milhões vivem sem coleta ou tratamento adequado de esgoto. Os números revelam uma lacuna histórica que vai além da falta de recursos: envolve gestão ineficiente, perda de água nas redes de distribuição, ausência de planejamento técnico e pouca integração entre políticas públicas.
A perda de água nos sistemas de abastecimento é um dos problemas mais críticos. Em algumas cidades, mais de 40% da água tratada nunca chega ao consumidor final, desperdiçada em vazamentos, conexões clandestinas ou falhas operacionais. Reduzir essas perdas exige diagnóstico técnico preciso, renovação de infraestrutura e adoção de tecnologias de monitoramento em tempo real.
Conforme destaca o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, esse tipo de desafio demanda soluções que combinam conhecimento técnico com visão estratégica de longo prazo. A infraestrutura hídrica não pode ser tratada como obra pontual: ela exige planejamento integrado, manutenção contínua e atualização tecnológica constante.
Tecnologia e inovação no abastecimento de água
O setor de saneamento tem incorporado cada vez mais tecnologia para melhorar a eficiência dos sistemas. Sensores de pressão distribuídos ao longo das redes, sistemas de telemetria, inteligência artificial para identificação de anomalias e softwares de modelagem hidráulica já fazem parte do arsenal técnico de empresas e gestoras públicas mais avançadas.
Essas ferramentas permitem identificar vazamentos invisíveis, prever falhas antes que ocorram e otimizar o consumo de energia nas estações de tratamento. O resultado é uma operação mais eficiente, com menor impacto ambiental e maior qualidade no fornecimento de água à população.

A partir do que considera o engenheiro Odair José Mannrich, a adoção dessas tecnologias representa uma mudança de paradigma no setor. O saneamento deixa de ser gerenciado de forma reativa, respondendo a falhas apenas quando elas já causaram dano, e passa a operar com base em dados e previsibilidade.
O papel das obras de grande porte na transformação do setor
Projetos de grande escala têm papel central na expansão do saneamento básico no Brasil. A construção de estações de tratamento de água e esgoto, adutoras de longa distância, redes coletoras em áreas urbanas densas e sistemas integrados de abastecimento regional exige engenharia sofisticada, gestão rigorosa e capacidade técnica especializada.
Esses empreendimentos também geram impacto econômico relevante: criam empregos diretos e indiretos, movimentam cadeias de fornecimento local e elevam o valor dos territórios atendidos. Mais do que infraestrutura, são investimentos com retorno social mensurável.
Segundo o engenheiro Odair José Mannrich, a execução eficiente dessas obras depende de equipes com domínio técnico amplo e experiência acumulada em projetos complexos. A qualidade da entrega final está diretamente ligada ao rigor aplicado em cada etapa, do planejamento à operação.
O que o Brasil precisa fazer para cumprir as metas de universalização?
Cumprir as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento até 2033 exigirá um ritmo de investimento e execução muito superior ao observado nas últimas décadas. Especialistas estimam que o setor precisará de mais de 500 bilhões de reais em aportes até o final do período, com forte participação do setor privado e dos governos estaduais e municipais.
Além do volume financeiro, será necessário qualificar a gestão, reduzir a burocracia nos processos de licenciamento, ampliar a capacidade técnica dos municípios e garantir que os investimentos cheguem às regiões com maior déficit. A engenharia ambiental e sanitária tem papel central nesse processo, tanto no desenho dos projetos quanto na fiscalização e operação dos sistemas.
Na visão de profissionais como o engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, o caminho passa pela combinação entre investimento público estruturado, inovação tecnológica e formação de equipes técnicas capazes de executar projetos com eficiência e responsabilidade ambiental. O Brasil tem os recursos e o conhecimento necessários, portanto o que falta é transformar intenção em infraestrutura real.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez



