Bancos costumam financiar, segundo o empresário Tiago Oliva Schietti, até oitenta por cento do valor de um imóvel, o que significa que o restante precisa sair do bolso do comprador antes mesmo de qualquer parcela começar a ser paga. Essa exigência de entrada costuma pegar de surpresa quem está comparando financiamento e consórcio pela primeira vez.
Especialistas citam essa diferença como um dos pontos mais relevantes na hora de decidir entre as duas modalidades para comprar um imóvel, já que ela afeta diretamente quanto dinheiro precisa estar disponível logo no início do processo.
Por que o financiamento imobiliário exige entrada?
O banco assume o risco de emprestar a maior parte do valor do imóvel, e a entrada funciona como uma garantia de que o comprador também está comprometido financeiramente com a operação. Quanto maior a entrada, menor tende a ser o valor das parcelas mensais ao longo do financiamento.
Reunir esse valor inicial costuma ser um dos maiores obstáculos para quem está comprando o primeiro imóvel, especialmente em cidades onde o preço médio dos imóveis já é alto o suficiente para tornar vinte por cento uma quantia considerável.
Além da entrada, o financiamento costuma envolver taxas de avaliação do imóvel, custos cartorários e seguros obrigatórios, que somados podem representar um valor adicional relevante logo no início da operação, antes mesmo da primeira parcela mensal ser paga.
Por que o consórcio dispensa esse valor inicial?
No consórcio, não existe essa exigência de entrada, já que o comprador contribui mensalmente até ser contemplado, sem precisar comprovar um valor inicial disponível para dar início ao processo. A carta de crédito, uma vez liberada, cobre o valor total contratado, sem depender de um aporte prévio do consorciado.

Essa diferença torna o consórcio mais acessível para quem ainda está juntando dinheiro e não tem uma reserva significativa disponível de imediato, desde que essa pessoa também tenha disposição para esperar pela contemplação em vez de precisar do imóvel de forma imediata.
Vale lembrar que a ausência de entrada não elimina outros custos previstos no contrato de consórcio, como taxa de administração e eventual fundo de reserva, que continuam entrando na conta total do que será pago até a contemplação. Tiago Oliva Schietti costuma reforçar esse ponto para quem acha que a falta de entrada torna o consórcio automaticamente mais barato em qualquer comparação.
O que isso muda no planejamento de quem está economizando?
Quem está juntando dinheiro para dar entrada num financiamento muitas vezes poderia usar esse mesmo período para pagar parcelas de consórcio, chegando à contemplação sem precisar ter reunido um valor tão alto de uma vez. Tiago Oliva Schietti sinaliza que essa comparação raramente aparece nas conversas sobre economia para comprar um imóvel, mesmo sendo relevante para quem está nessa fase de acumular recursos.
A escolha entre esperar juntando entrada ou entrar direto num consórcio depende de quanto tempo a pessoa está disposta a esperar em cada cenário, e de qual das duas rotas realmente encurta o caminho até a casa própria no seu caso específico.
Nenhuma entrada não significa nenhum planejamento
Em última análise, nota-se que a ausência de entrada no consórcio não elimina a necessidade de planejamento financeiro, apenas muda onde esse esforço é exigido: em vez de reunir um valor alto de uma só vez, o consorciado distribui o compromisso ao longo de vários anos de parcelas mensais.
Entender essa diferença, de acordo com a análise de Tiago Oliva Schietti, ajuda a escolher com mais clareza qual caminho se encaixa melhor na própria capacidade de organização financeira, sem assumir automaticamente que a ausência de entrada torna o consórcio a opção mais fácil em todos os sentidos.



