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O pirarucu que virou símbolo de renda na Amazônia

Joel Alves é um dos nomes associados ao interesse crescente pelo manejo comunitário do pirarucu, um dos exemplos mais fortes de como conservação e economia podem andar juntas na Amazônia. O maior peixe de escamas de água doce do mundo, capaz de atingir três metros de comprimento, já esteve ameaçado de extinção em diversas regiões do Amazonas. Hoje, o manejo sustentável da espécie é citado como um dos casos de sucesso mais consistentes da bioeconomia brasileira, servindo de referência para outras iniciativas de conservação pelo país.

O que é o manejo comunitário do pirarucu?

O modelo reúne comunidades ribeirinhas, indígenas e órgãos ambientais em um sistema de gestão compartilhada dos lagos de várzea. Pescadores treinados realizam um censo participativo, contando os peixes que sobem à superfície para respirar, técnica que permite estimar o estoque natural com precisão impressionante, e, a partir desse número, definem quantos exemplares podem ser retirados naquele ciclo produtivo.

Fora da curta janela de captura, que dura cerca de dois meses por ano, as comunidades dedicam praticamente todo o restante do tempo à vigilância contra a pesca ilegal nos lagos manejados. O acompanhamento constante, tema que desperta interesse de quem, como Joel Alves, observa o setor pesqueiro, garante a proteção da espécie ao longo de todo o ciclo reprodutivo.

Os números por trás da recuperação da espécie

Em áreas de manejo participativo na Amazônia, o estoque natural do pirarucu cresceu mais de 600% desde o fim dos anos 1990, segundo dados de institutos de pesquisa que acompanham a atividade na região. O resultado reverteu um cenário de forte ameaça à espécie em diversas reservas do Amazonas, com destaque para a Reserva Mamirauá.

Programas recentes de pagamento por serviços ambientais devem atender mais de 40 organizações extrativistas em 41 áreas protegidas do estado, reconhecendo financeiramente comunidades que preservam os lagos e respeitam o período reprodutivo do peixe. A iniciativa conta ainda com apoio de organismos internacionais ligados à Organização das Nações Unidas.

Como o manejo transforma a renda das famílias?

A certificação de origem, com biometria individual de cada peixe e uso de lacres numerados, passou a valorizar o pescado manejado, que pode ser vendido por preço até 30% maior do que o praticado por atravessadores, inclusive em compras públicas do governo. Um aspecto relevante a quem observa esse tipo de iniciativa, visto que rastreabilidade e conservação se potencializam mutuamente nesse modelo.

Joel Alves
Joel Alves

Relatos de comunidades manejadoras apontam aumento expressivo na renda das famílias envolvidas, em alguns casos superior a dez vezes o valor recebido antes do manejo. Joel Alves explica que o ganho se reflete em investimentos em infraestrutura básica, saúde e educação nas próprias vilas de várzea, algo raro antes da consolidação desse modelo produtivo.

Um efeito que vai além do peixe

Proteger os lagos onde o pirarucu se reproduz também beneficia outras espécies que dividem o mesmo ambiente, como o tracajá, o tambaqui, as tartarugas e o peixe-boi. A vigilância comunitária contra invasores acaba funcionando como um escudo para toda a biodiversidade aquática da região amazônica.

A preservação da mata ciliar e das áreas de várzea, essencial para a existência do pirarucu, também contribui para manter os igapós como estoque de carbono relevante para o equilíbrio climático de toda a bacia amazônica, um benefício que ultrapassa em muito os limites da atividade pesqueira em si.

Por que o modelo interessa a outras regiões do país?

A combinação entre conhecimento tradicional das comunidades e rigor técnico de órgãos ambientais é apontada como o principal fator de sucesso do manejo do pirarucu. Iniciativas semelhantes já são discutidas para outras espécies nativas em diferentes bacias hidrográficas do país, incluindo peixes que hoje sofrem pressão de captura comercial fora de controle.

Nomes associados ao universo da pesca, como Joel Alves, contribuem para dar visibilidade a esse tipo de experiência, que demonstra como práticas de bioeconomia e ações de conservação ambiental podem gerar benefícios concretos para quem subsiste da pesca na Amazônia.

 

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