O empreendedorismo feminino tem se destacado como uma das forças mais resilientes e inovadoras na economia brasileira. Cada vez mais mulheres estão se lançando no mercado de trabalho por conta própria, mas enfrentam desafios que muitas vezes são invisíveis para as políticas públicas. A informalidade, uma característica comum entre as empreendedoras brasileiras, é um dos maiores obstáculos, dificultando o acesso a recursos essenciais, como crédito e capacitação. No entanto, as políticas públicas, mesmo que em processo de evolução, têm buscado criar soluções para enfrentar esses desafios, oferecendo um futuro promissor para as mulheres empreendedoras.
O crescimento do empreendedorismo feminino no Brasil reflete uma realidade complexa, onde muitas mulheres encontram na informalidade uma maneira de conciliar o trabalho com as responsabilidades familiares. Muitas delas começam seus negócios em casa, com iniciativas simples, como venda de alimentos ou produtos de beleza. De acordo com dados recentes, 70% das mulheres empreendedoras são mães e o faturamento médio de seus negócios gira em torno de R$ 2 mil. Esse panorama revela não só a força de trabalho feminina, mas também a necessidade urgente de políticas públicas mais eficazes para transformar esse cenário de informalidade em uma economia mais inclusiva e estruturada.
Embora o empreendedorismo feminino seja uma fonte de renda vital para muitas famílias brasileiras, ele também está relacionado a uma série de dificuldades. As mulheres, especialmente as negras e pardas, enfrentam obstáculos ainda mais significativos no caminho para a formalização de seus negócios. A falta de acesso a crédito e a desafios na gestão financeira são alguns dos principais fatores que contribuem para a precariedade dos negócios liderados por mulheres. As políticas públicas, como o recente apoio do governo federal com linhas de crédito mais acessíveis, têm sido fundamentais para ajudar essas empreendedoras a superar esses desafios, mas ainda há um longo caminho a percorrer.
Além dos obstáculos financeiros, a sobrecarga de responsabilidades também é um ponto crítico para as mulheres empreendedoras. Muitas delas lidam com jornadas de trabalho tripla, dividindo seu tempo entre a gestão dos negócios, os cuidados com a casa e a educação dos filhos. Esse cenário torna ainda mais difícil a dedicação plena aos seus empreendimentos, comprometendo o crescimento e a estabilidade financeira desses negócios. A falta de tempo e de apoio institucional adequado são questões que precisam ser enfrentadas com políticas públicas que considerem a realidade multifacetada das mulheres no Brasil.
A informalidade no empreendedorismo feminino também está associada à falta de qualificação e ao difícil acesso a capacitação. Muitas mulheres começam seus negócios com poucos recursos financeiros e sem o conhecimento necessário para administrar uma empresa de maneira eficaz. No entanto, a capacitação tem sido apontada como um dos caminhos mais eficientes para promover a inclusão das mulheres no mercado formal. A busca por formação profissional, aliada ao acesso a crédito, pode ser a chave para transformar os pequenos negócios informais em empreendimentos sólidos e bem-sucedidos.
A pesquisadora Daiane Batista, da Universidade Federal da Bahia, destacou, durante um painel promovido pelo governo federal, que as mulheres negras estão entre os grupos mais vulneráveis no campo do empreendedorismo. Elas, em sua maioria, enfrentam a exclusão do mercado formal e têm seus negócios localizados em áreas periféricas ou em suas próprias residências. A criação de políticas públicas que atendam especificamente a esse público é essencial para que essas mulheres possam se inserir de maneira mais igualitária no mercado e garantir o sustento de suas famílias de forma mais segura e estruturada.
O apoio do governo, por meio de programas como o Procred 360, oferece uma linha de crédito que pode beneficiar diretamente as microempresas lideradas por mulheres. Essa medida visa ampliar as oportunidades para que as mulheres possam acessar financiamento para o crescimento de seus negócios. A ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, enfatizou a importância da inclusão financeira para as mulheres empreendedoras e a necessidade de superar as desigualdades regionais e sociais que ainda persistem no Brasil, especialmente em áreas como a Amazônia e o Nordeste.
O desafio de equilibrar as múltiplas responsabilidades da vida pessoal e profissional é um fator que pesa na balança do empreendedorismo feminino. As mulheres brasileiras frequentemente enfrentam dificuldades para conciliar o cuidado com a família e a gestão de seus empreendimentos. A sobrecarga de trabalho e a falta de tempo para dedicar ao crescimento de seus negócios são obstáculos significativos para o sucesso no empreendedorismo. No entanto, com políticas públicas focadas na flexibilização de horários e na oferta de apoio financeiro e técnico, é possível construir um ambiente mais propício para o crescimento e desenvolvimento dessas empreendedoras.
O empreendedorismo feminino no Brasil é um reflexo da força e da determinação das mulheres em superar as adversidades impostas pela informalidade e pelas desigualdades sociais. Embora ainda haja desafios significativos, como a falta de acesso a crédito e a sobrecarga de responsabilidades, o apoio das políticas públicas pode ser a chave para transformar o cenário atual. Com mais investimentos em capacitação, crédito acessível e apoio institucional, as mulheres empreendedoras terão a oportunidade de expandir seus negócios e contribuir de maneira ainda mais significativa para a economia brasileira.
Autor: Barack Silas Shimit
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital